Entre 28 de março e 23 de dezembro de 2020, o Centro de Estudos de Migrações Internacionais (CEMI) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob coordenação de Omar Ribeiro Thomaz, publicou um conjunto de 93 relatos oriundos de mais de 30 países (ver mapa), entre textos etnográficos e analíticos, depoimentos sobre a quarentena, informes, reflexões sobre contextos específicos, quadrinhos e fotografias.
 
Os 93 relatos publicados indicam uma pandemia marcada pelo cruzamento de clivagens que têm por referência a ideia de território – regionais, nacionais e locais – e noções como origem, raça, gênero, classe, profissão e faixa etária . Some-se conflitos políticos e um mundo do qual fazem parte indivíduos humanos e não humanos, e temos uma extraordinária multiplicidade de experiências. A pandemia do novo coronavírus se traduz numa gama imensa de eventos epidemiológicos que variam ainda em função da robustez, fragilidade ou inexistência de sistemas de saúde, de tentativas mais ou menos felizes de reativação da economia, de mecanismos locais de ajuda, da presença ou ausência de iniciativas estatais no apoio aos diretamente afetados pela pandemia.
 
O cenário dos primeiros meses de pandemia parece se renovar, atualizado por termos que evocam imprevisibilidade e contingência. A produção de vacinas por diferentes empresas distribuídas ao redor do mundo acabam por operar num universo de incertezas associadas a sua eficácia e à capacidade desigual de produção, compra, distribuição e, por fim, vacinação. Some-se os constantes descobrimentos em torno dos efeitos da Covid-19, as variantes do vírus que se proliferam com grande rapidez, a velocidade de disseminação das fake news e a necessária retomada de quarentenas mais ou menos estritas e mesmo lock downs e nos enfrentamos a um 2021 que se apresenta como uma angustiante continuidade de 2020. Por todos lados onde a pandemia atormenta populações cansadas, a morte veio e vem acompanhada de restrições ou mesmo da impossibilidade de realização de rituais funerários e do luto necessário.
 
Neste contexto, optamos por dar continuidade a Observatório Covid-19, dando início a uma segunda série focada em relatos e descrições etnográficas sobre o momento da pandemia em diferentes locais do mundo, com destaque para o cotidiano da pandemia, as diferentes tentativas de normalização e de convívio com o novo coronavírus e suas variantes, os rituais funerários, as experiências da perda e do luto, os sonhos, a dinâmica de negociação dos diferentes saberes em cada contexto e a reação das instituições locais mais diversas, que resistem às consequências da doença e dos próprios esforços para conter o seu avanço.
 
Os textos devem ter até três mil palavras e podem vir acompanhados de imagens (fotografias, desenhos, quadrinhos). Narrativas compostas exclusivamente por imagens serão mais do que bem vindas. Receberemos contribuições em fluxo contínuo pelo email: cemiifch@unicamp.br